Bloqueio. Federico Fellini foi um cineasta italiano do pós-neorealismo que ganhou 4 Óscares de Melhor Filme Estrangeiro e uma Palma de Ouro em Cannes. Começou por adaptar uma história do conterrâneo Michelangelo Antonioni, O Sheik Branco, daí passando para a grande onda de sucesso La Strada - Notti di Cabiria, que passou por Il Bidone e I Vitelloni. Este sucesso ficou a dever-se muito à companheira vitalícia de Fellini, a actriz semi-Chapliniana Giulietta Masina.


A primeira fase da carreira do italiano acabou com La Dolce Vita, filme vencedor do grande festival da Côte D'Azur. 3 horas de fama, de orgias, de Marcello Mastroianni, de alienação e de banhos em Trevi tornaram Fellini num 'pecador público'.
Não sou grande apreciador de Fellini. Nunca percebi todo o amor que há em redor de cada filme que este tenha feito com a Masina. Reconheço o seu interesse, a sua capacidade criativa, mas no conjunto da sua obra nunca foi daqueles que me conseguem cativar a cada momento, a cada filme. Mas realizou um dos meus filmes favoritos de sempre. 8 1/2 é um dos meus filmes favoritos de sempre e a razão de ser desta pequena nota acerca do cineasta. Novamente com o belíssimo Marcello.

Fazer um filme grandioso, como é La Dolce Vita, pode esgotar qualquer um. Espantoso é saber que a Magnum Opus de um cineasta como Federico Fellini parte deste esgotamento. Depois do período mais neorealista dos anos 50, este senhor descobriu o trabalho de Carl Jung (um dos protagonistas do bom filme de 2011 A Dangerous Method).

Pegando nos estudos de Jung e no seu próprio bloqueio criativo, Fellini dirigiu, então, o imensamente autobiográfico 8 1/2, que conta a história de um cineasta, também ele, curiosamente, em bloqueio criativo. Concentrado no seu novo filme de ficção-científica vai perdendo a noção daquilo em que está a trabalhar quando é perseguido por sonhos, memórias ou fantasias que se unem à realidade, acabando com o interesse artísitico e familiar do cineasta.
Ainda hoje nem sei bem o que 8 1/2 é. Para além, claro, de ser do mais belo cinema que já vi. Não é só a beleza que me leva a admirar este filme acima de tantos outros. Admiro o Fellini que o construiu por ter conseguido ultrapassar um dos seus momentos críticos de forma tão original como dirigindo esta rambóia barroca. Pudéssemos todos criar a partir dos desmonoramentos que encaramos...
Depois deste filme, Federiquito pegou de novo na sua musa Masina, continuou a filmar de forma autobiográfica os sonhos que fazia questão de apontar no seu pequeno caderno de cabeceira e, na minha apreciação, nunca voltou ao nível que encontrou com o segundo filme em que dirigiu Mastroianni. Por muito que eu não seja um profundo amante da obra do Maestro ele fez esta bela confusão. Deixa marca.

Depois deste filme, Federiquito pegou de novo na sua musa Masina, continuou a filmar de forma autobiográfica os sonhos que fazia questão de apontar no seu pequeno caderno de cabeceira e, na minha apreciação, nunca voltou ao nível que encontrou com o segundo filme em que dirigiu Mastroianni. Por muito que eu não seja um profundo amante da obra do Maestro ele fez esta bela confusão. Deixa marca.

Miguel Ferreira
Sem dúvida que deixa marca, um dos meus filmes preferidos também, apesar de eu ter grande admiração por toda a carreira de Fellini e não só por esse filme.
ResponderEliminarQuantos é que já viste da fase pós-8 1/2?
Cumprimentos.
http://onarradorsubjectivo.blogspot.com/
Do pós-8 1/2 vi a Julieta dos Espíritos, o Amarcord e a Cidade das Mulheres!
ResponderEliminarCumprimentos.